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É FALSO que existam mais de 400 casos de doenças causadas por Tucunaré

Vídeo difundido nas redes sociais erra o nome, o tipo e o nível de perigo da doença para humanos.

Circula nas redes sociais um vídeo em que um homem mostra um tucunaré com várias larvas dentro de seus olhos, a legenda diz: “Atenção pescadores de Tucunaré, este é o Gnastoma Spirinelis que o Marco Parisi de Votuporanga contraiu após comer um tucunaré. Já são mais de 400 casos da doença pelo consumo de tucunaré no Brasil. É grave e pode ir para o olho , cérebro e fígado. A recomendação é não consumir (principalmente sashimis) o peixe.”

A mensagem é FALSA!

Consultado por nossa equipe, o Ministério da Saúde informou que a informação de contaminação pelo consumo de tucunaré é falsa. O órgão afirmou que não foi notificado sobre qualquer surto alimentar nos últimos anos causados pelo consumo do peixe. e que o parasita Gnastoma Spirinelis não existe, o que existe é um parasita de nome parecido, o Gnathostoma Spinigerum, ele causa uma doença chamada Gnatostomíase, ela ocorre em peixes de água doce e pode passar para pessoas que possuem baixa imunidade, ocorre mais em países da ásia e américa central, existem alguns casos registrados no Peru e no Equador em regiões onde o saneamento básico é escasso, e no Brasil só existem o registro de 3 casos da doença, sendo que nenhum deles é recente, o tratamento é rápido, simples, e feito por via oral, caso você tenha comido peixe cru ou bebido água não filtrada recentemente, e sentir alguma coisa rastejando por baixo da pele de seus braços, procure o posto médico do seu bairro.

Segundo o Doutor em Medicina Veterinária com atuação na área de Tecnologia e Inspeção Higienicossanitária do Pescado e Sanidade de Organismos Aquáticos, Andre Muniz Afonso, , professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o peixe no vídeo é realmente um Tucunaré, porém, é necessário uma análise em laboratório para determinar com exatidão a natureza dos parasitas em seus olhos.

Porém, Muniz acredita que os parasitas em questão sejam da família dos Diplostomidae, também conhecidos pelos locais como “vermes de olho”

Segundo ele, esses parasitas podem ser encontrados nos cristalinos e no humor vítreo dos olhos e podem levar à catarata, e consequentemente à cegueira, com isso o peixe não pode se alimentar, emagrece e morre.

Esses parasitas não não estão associados a doenças em humanos, apesar de causarem grandes prejuízos em criações de peixe, principalmente no norte do Brasil.

De acordo com o professor, as formas mais seguras de se consumir os peixes são aquelas onde existe o tratamento pelo calor. “Recomenda-se o cozimento a, pelo menos, 60 °C por 10 minutos. No caso do consumo cru, recomenda-se, previamente ao consumo, que o peixe seja congelado.”

Segundo o Ministério da Agricultura (decreto 9.013, de 29/03/2017) Pescados contaminados com parasitas transmissíveis ao homem devem ser submetidos a congelamento à temperatura de -20ºC (vinte graus negativos) por 24 horas ou -30ºC (trinta graus negativos) por 15 horas antes de destinar ao consumo humano.

Vale lembrar que o congelamento mata apenas os vermes, ele não livra os peixes de vírus, bactérias ou fungos, quanto a isso, comer peixe cru é desde a antiguidade uma roleta russa, mais cedo ou mais tarde você sempre vai pegar alguma coisa.

Investigamos também a existência do tal Marco Parisi que aparece na foto, Na verdade, o homem na foto é um indiano de 65 anos do qual foi tirado do olho um verme de 15cm, mas, segundo os médicos que o atenderam, a contaminação se deu por uma picada de mosquito, e não por ingestão de alimentos crus ou água contaminada.

PARECER DA EQUIPE:
O vídeo não parece ter sido produzido de má fé, aqui vemos um pescador, munido de conhecimentos equivocados, alarmado com o que viu nos olhos do peixe, e com isso busca conscientizar a população e evitar um surto, um comportamento bem tipico daquelas “tias do zap”, onde para alarmar o povo, ele usa números aleatórios.

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